terça-feira, 2 de dezembro de 2008


em tempos fui escritora . há umas quantas eternidades atrás criei mundos , pessoas , lugares , memórias , viagens . tornei reais , visiveis e palpaveis , lágrimas , sorrisos , vidas . fz com que mares tivessem ondas, com que enormes planicies tivessem flores , com que planetas tivessem sóis .
mas agora só escrevo palavras . palavras frias , distantes , transparentes . frases sem sentido , sem prepósito. Agora , limito-me a pensar , não a sentir. Agora é a minha cabeça que guia o meu lápis , por linhas e linhas de alguma coisa que em nada se assemelha a mim , ao mundo , aos outros , mas sim a algo tão racional e matemático como uma conta . Agora , escrevo palavras , nada mais .

domingo, 30 de novembro de 2008


via as folhas no chão . ouvia a música , que ia entrando no meu corpo e que o que fazia dançar , quebrar o frio , ganhar vida . escutava com atenção o que ele dizia . tentava absorver cada palavra , cada silaba , como se disso a minha existência dependesse . olhava para todo o lado , até para mim mesma . procurava perceber o que sentia . no entanto , se me pedissem para descrever o que estava a viver agora mesmo não o sabia fazer . a única coisa de que tinha a certeza é que estava cansada , muito cansada . cansada de tentar , cansada de querer , cansada de cair , cansada de fingir , cansada . mas não podia parar , não podia desistir . não podia virar as costas à minha vida e fingir que estava tudo bem . não . tinha que continuar . tinha que ir buscar forças onde quer que fosse e continuar a viver . continuar a erguer as pernas , os braços , o orgulho e lutar . lutar . lutar .

terça-feira, 14 de outubro de 2008




veio ter comigo , meio a medo e perguntou-me , assim do nada , o que me apetecia fazer agora . e eu , sem tirar os meus olhos dos dela , pensei que a única coisa que me apetecia fazer agora , amanhã , sempre , era estar na praia , contigo , a ouvir o mar . estar sentada na areia , numa solarenga tarde de verão , com os pés meio escondidos por entre os graõzinhos daquilo que outrora fora pedra , mas que o tempo , o mar e o vento acabaram por desgastar. apetecia-me fechar os olhos e , assim que os abrisse , ver-te à minha frente , a sorrir . apetecia-me voltar atrás no tempo e dar , contigo , mais um dos nossos passeios à beira mar . apetecia-me chegar todos os dias a casa com o cabelo a saber a sal e a alegria . apetecia-me voltar a acordar , levantar-me , tomar o pequeno almoço , dar uns timidos passos em direcção ao sol , e estar mesmo ali , onde sempre quisemos estar . onde sempre nos sentimos bem . mas não , não disse nada do que pensei . limitei-me a sorrir . ninguém podia saber que sentia a tua falta , todos os dias . ninguém podia saber que não estava bem como estava , que tinha que sair dali , que tinha que os deixar a todos sozinhos . se o soubessem , nunca mais me perdoavam . e eu não queria isso . só queria paz . só queria ter-te ao meu lado . só queria dar-te a mão e ficar calada , a viver . só queria molhar os pés na água . só queria um bocadinho de manteiga , ou de margarina , para barrar na minha torrada .




( fez em setembro três anos desde que nos conhecemos . )

terça-feira, 30 de setembro de 2008


acabei de fechar os olhos . agora , vejo o mar . agora , oiço as ondas baterem cheias de raiva . agora , sinto a tua mão no meu cabelo , no meu corpo . agora , já não tenho medo , nem saudade . agora , a única coisa que tenho és tu , o nosso amor , a nossa complicidade , o nosso tempo . agora , já não quero chegar nem partir para sitio nenhum . agora , tudo o que quero está aqui , neste sitio que nem sequer existe sem ser dentro de nós , da nossa cabeça , do nosso mundo . agora , meu amor , já posso prometer tudo o que quiseres já te posso prometer nunca mais ir embora , nunca mais dizer adeus . já posso prometer que nunca mais hei-de chorar nem morrer por dentro . já te posso olhar nos olhos e dizer com toda a certeza que és só tu que amo , que és só tu que vive na minha cabeça , a toda a hora no entanto , isto que te vou prometer , como em tudo na vida , tem uma condição . tens que me prometer também que nunca me deixas ver-te partir desta praia de ilusões . deste mar de medos e frustrações . deste vento que sabe a sonho e a esperança . tens que encostar a tua boca ao meu ouvido e dizeres tudo o que sentes . tudo o que te assusta , que te prende . e depois , depois de me prometeres vida , tens que me beijar . tens que me beijar como nunca o fizeste . tens que me beijar , porque sem o teu beijo , morro. ou melhor , abro os olhos .

sexta-feira, 19 de setembro de 2008




estou sentada na minha secretária . quando olho para a esquerda , vejo um espelho . o meu espelho. sempre que o vejo , vejo-me também a mim . vejo a rita . A Rita . Mas quem é a Rita afinal ? Bem , é certo e sabido que Rita é um nome , o meu nome . Mas e , serei eu ? Ou eu não sou um nome ? Não percebo então . Se não sou um nome ( ou talvez o seja , nem sequer sei ) serei uma coisa ? ( ou nem isso sou ? ) E uma pessoa ? sou um homem ou uma mulher ? algo devo ser , não ? ou tudo isto não passa de uma ilusão ? de uma fantasia ? de uma anedota ? de um jogo manipulado por algo superior a todos nós e que nos usa e abusa como se fossemos marionetas ? seremos afinal pequenas peças num tabuleiro composto por corpos , almas , sitios e sensações , completamente aleatórias e superficiais ? será tudo isto um sonho , ou sou de facto real e palpável ? nunca soube quem sou ou o que sou , e isso mata-me . mata-me mais do que se soubesse que não era nada , ou melhor , que era nada . dessa forma , podia ao menos viver ( ou não viver ) sentido alguma coisa , nem que fosse dor , solidão , tristeza , por ser nada .

sempre gostei do pôr do sol . aliás , sempre admirei o pôr do sol . ainda hoje , me supreendo com a forma de como ele me consegue cativar . lembro-me tão bem de em miúda ficar a olha-lo como se não houvesse mais nada . passava imenso tempo , completamente absorta ao mundo , só a ouvir as ondes baterem , a sentir a brisa do mar e a ver o sol por-se . agora , que cresci , já não é bem assim . na verdade , tudo se tornou mais complicado com o tempo . acabei por descobrir que , afinal , o dito cujo não me levou só o sorriso que costumava ter na cara todos os dias , mas também toda a minha inoncência . sei , tão bem como estar viva , que hoje sou incapaz de olhar o pôr do sol sem me virem logo à milhares de pensamentos , de reflexões .de facto , a vida é a melhor escola de todas . ensina-nos , melhor que nada nem ninguém , a pensar por nós próprios . a sentirmos-nos a nós e aos outros . a ouvirmos o mundo , e tudo o que ele embarca . é a única escola que nos obriga a repensar tudo o que fazemos e a refaze-lo , se necessário. no entanto ,é a que deixa mais mazelas também . é incrivel como em criança era facilimo olhar o sol sem pensar em mais nada sem ser nele , sem ser em como o que estava em frente dos meus olhos era lindissimo . parecia mesmo simples . mas , agora , assemalha-se dificilissimo , impossivel até , direi . agora , quando olho o pôr do sol , quando oiço as ondas baterem ou quando sinto a brisa do mar , vêm-me logo à cabeça inúmeras outras imagens , que vos garanto nada terem haver com o mar , ou com o sol , mas sim com a estrada mais esburacada que já encontrei , a minha vida .
nunca conheci ninguém como tu , juro que não . às vezes , fico olhar para ti a pensar como seria tudo isto se nunca te tivesse conhecido . se tivesses ido para outra turma , se eu tivesse entrado com seis anos para escola , se sei lá , nunca sequer tivesses nascido . mas depois , dou comigo a convencer-me a mim mesma que isso era impossivel . que isto tudo deve ter algum sentido , e o nosso destino , provavelmente é sermos melhores amigas . é sermos confidentes , irmãs , alicerces uma da outra . a nossa sina deve ser esta mesmo . aprendermos uma com a outra a viver , a sentir , a crescer . e sabes , melhor amiga , se perguntassem com quem é eu me imagino para o resto da minha , eu respondia que era contigo e com mais ninguém . para sempre . ou para nunca , não é ,s ?

quarta-feira, 30 de julho de 2008


estou sozinha , aqui , nesta casa com mil quartos . estou sozinha , aqui , nesta floresta de
solidão . estou sozinha , aqui , nesta parede branca , neste muro cor de cal , neste céu tão
insipido quanto tu . estou sozinha , bem o sei . não importa onde nem com quem . afinal ,
onde quer que vá , com quem quer que esteja , estou sozinha , bem sozinha . agora , só
existo eu e o meu eco . só nós . só nós vivemos , só eu e ele é que sentimos e dançamos
de mão dada . só eu e o meu eco é que vemos o luar . só nós dois tocamos nas estrelas e
cheiramos a terra . estou sozinha , aqui . ou talvez não . secalhar , estou simplesmente
aprisionada com o meu eco , nesta casa , neste palácio , nesta mansão . estou aqui , só
aqui . não me vês ? não ? mas eu estou aqui , na lágrima que acabaste de verter . já vês
agora ? olha , olha , estou aqui , neste sorriso que jamais esboçarás , estou aqui ! sempre
aqui , sozinha . estou aqui , ou ali , ou acolá . o que interessa é que estou . estou agora e
sempre estarei . e , se por algum motivo não estiver aqui , devo estar algures no teu
coração , que já não existe . ou então , talvez ande a voar pelo ar ou pelo vento . secalhar
pelo sol , não sei bem . talvez esteja a cheirar esta ou aquela flores . no entato , embora
não saiba bem onde estou ou estarei , uma coisa é certa , o único que me acompanha e
acompanhará é o meu eco , só o meu eco .
nunca percebi muito bem o que era , o que sou . sou alguém , é certo . tenho braços , pernas , olhos , boca . penso , reflito , vivo . sorrio , rio , abraço . sinto ódio , amor , esperança , tristeza , solidão . sinto-te a ti , sinto o mundo e tudo o que ele embarca . sinto a chuva , a terra . sinto o fogo e água . sou um Homem . sou alguém . sou a Rita . sou um mundo , tal como todos nós . eu sei que o sou . aliás , sei que sou e faço tudo isto . no entanto , sempre que me tento descobrir , que tento descobrir o que me rodeia , dou por mim a olhar para um buraco negro , para um vazio de respostas , de certezas . por vezes , bem tento convencer-me que sei tudo , que já há muito equacionei a resposta para a pergunta que há tanto tempo faço . mas , logo a seguir enrolo as pernas na minha própria mentira , caio , e volto ao principio . volto à dúvida que me angustia desde o dia que me senti viva , volto ao que não me deixa dormir à noite , volto à questão a que todos tentam responder , o porquê do mundo , o porquê da vida , o porquê de tudo isto .

terça-feira, 15 de julho de 2008

antigamente dominava as palavras como me domino a mim . controlava-as , tinha-as . sabia que bastava pensar no que sentia , que tudo me saia naturalmente . como se elas tivessem pezinhos e se pusessem exactamente onde eu as querias , onde ficavam bem . bastava agarrar numa caneta , numa folha , na minha alma e tudo se compunha como por magia . e assim , passava horas . passava horas a escrever , a passar para papel tudo o que sentia , o que pensava . a dizer coisas sem sentido e a po-las coesas , racionais . parecia tão simples , tão fácil . mas agora , que cresci , tudo parece mais dificil , mais confuso . o que escrevo , já não me soa tão bem , tão certo , tão simples . não sei , talvez tenha perdido o 'talento' , talvez já não ache o mundo tão bonito , tão humano , tão harmonioso , como o achara em tempos . talvez , já não acredite no amor ou em tudo o resto . ou então , talvez seja mais fácil , em vez de escrever o que sinto , preocupar-me em vive-lo , em faze-lo acontecer . em exprimentar isto que tenho , até não ter mais . até tudo acabar e eu não sentir mais nada , nem mesmo o meu coração .

quarta-feira, 9 de abril de 2008




não , não sei . nunca o soube nem saberei . e também não , nunca me ensinaram . mas , sinceramente ,digam-me , quem o sabe ? quem sabe afinal viver ? todos estamos aqui , é certo . todos damos umas gargalhas de vez em quando , amamos este e aquele , aqui e ali . todos sonhamos e sentimos . todos nos movemos em passos surdos e gestos estáticos . todos estamos presos em corpos que nos obrigam a comer , a beber , a dormir . mas é isto viver ? viver é caminhar de forma meia apática por este mundo sem fazermos nada de realmente importante ? é sonhar e não fazer nada para acontecer ? é querer mas existir demasiado medo para ter ? somos tão parados , tão mortos , tão preguiçosos , que quando nos apercebemos que deitámos a nossa vida fora em troca de um nada de vivências , de memórias , já é tarde demais . por isso , peço-te , vive




fotografia : www.fotolog.com/heartfeelings ( melhor amiga :$ )

quarta-feira, 2 de abril de 2008

O amor dói, faz sofrer!
É uma espécie de veneno, que mata sem se ver.
No entanto, é algo, que só por si nos faz renascer.
Nos obriga a viver.
Eu, por ele, erguia montanhas e emoções.
Derrotava monstros e dragões.
Bruxas e poções mágicas
Corações mortos e almas estáticas.
Se fosse preciso, até viva a minha vida toda em dor!
Ai, o que eu não fazia, pelo amor...

Alguma vez, meu amor, te disse para não ires?
Para ficares e morreres, mas não partires?
Alguma vez te implorei um beijo por a saudade apertar demais?
Não, nunca, jamais!
Meu amor, diz-me, alguma vez te pedi a eternidade?
Ou supliquei que me amasses por piedade?
Então, agora peço-te, vive-me ardoamente!
Pois o hoje não mente,
O passado, esse, já foi e não nos levou
E pode nem haver futuro para contarmos o que se passou...

sábado, 15 de março de 2008


e enquanto o sol nos aquecer a alma , viveremos . enquanto a alegria nos ditar o que fazer , sorriremos . enquanto o mundo girar sempre para o mesmo lado , vezes e vezes sem conta , continuaremos por cá , a respirar , a olhar , a cheirar , a sentir . enquanto o vento nos bater ao de leve na cara , dançaremos , para trás e para frente , numa uma melodia meia surda , meia adormecida , meia morta . num impasse de corpos , de forças , de pensamentos . enquanto o equador dividir a terra ao meio , com uma simetria absoluta e rigorosa , correremos mundo para encontrar o que queremos. enquanto a lua nos fizer companhia , noite após , nós , por aqui , ergueremo-nos sempre para lutar , para querer ultrapassar tudo o que vier , para ter vontade de amar , de ter , de poder , de sonhar , de conseguir . enquanto a chuva molhar tudo o que é vivo , e o que não é , nós resisteremos às amarguras da vida , da saudade . nós , enquanto tivemos ar para respirar e amor para sobreviver , continuaremos por cá , sempre .

quinta-feira, 6 de março de 2008


e então ? achas que me importo ? achas que quero saber quantas estrelas há no céu ou quantas pessoas o mundo tem ? achas que me importa estar viva ou morta ? julgas que se fosses embora agora mesmo deixava de te amar ? meu deus , nem que me arrancassem o coração , me tirassem a alma , eu deixava de te amar. nem que me dissesem que tinhas morrido , nem que jurassem a pés juntos que me tinhas esquecido , nem que o mundo acabasse , e nós , inevitavelmente , deixasse-mos de existir também . sinto que o que temos é tão forte que era capaz de arrebatar o mundo , a morte , a vida até . meu amor , és tudo o que tenho . és a minha vida , a minha essência . és . és o que sou e o que não sou . és a força que me faz viver , és o ritmo que a minha vida leva . és o pulsar do meu corpo , do mundo . és e é por ti que sou . é por ti , só por ti , que vivo . é por ti , por ti , por ti . é por ti que sei que um dia serei . serei gente , serei alma. serei mulher , flor, lua , noite ou dia . serei risos , lágrimas , memórias . um livro aberto , ou fechado . uma história . um mundo .

segunda-feira, 3 de março de 2008

olha ali , estás a ver ? consegues sentir ? gostava que sentisses isto como eu sinto , que agarrasses a minha mão e me deixasses mostrar-te o quanto te amava, o quanto te amo. gostava de poder sentir o teu coração no meu peito para que conseguisses finalmente entender que aquilo que nos une é pura magia , por vezes silenciada pela vergonha dos nossos corpos e pelo ritmo da nossa vidas, admito . queria que conseguisses ver as estrelas como eu vejo , que sentisses o vento como eu sinto , que tentasses abraçar o mundo e sentir o seu pulsar como eu ( às vezes ) consigo, e olhar que bate tão forte . gostava, tanto , que vivesses isto que nós temos tão intensamente e genuinamente como eu vivo , como eu quero viver. que olhasses para lua e conseguisses a sua solidão. que ouvisses as ondas do mar e escutasses com atenção as suas secretas lamúrias, a canção de embalar com que nos saúdam sempre que o sol se põe. enfim , secalhar é pedir demais . secalhar o que sentimos e o que pensamos é totalmente diferente. secalhar vemos o mundo e a vida de formas completamente opostas e distantes , mas se assim for , aquilo que temos não é amor , ou é ?

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008



pensei em chorar , em cair , em deixar de viver . pensei , por ti , que já chegava . pensei , depois , em ficar pura e simplestemente alheia a tudo . ao mundo , a ti , à vida . mas não , não agora que estava finalmente viva . não agora que sentia tudo. o meu coração , o vento a bater-me ao de leve na cara , a chuva . não agora , que olhava para o jardim da minha casa e só via flores , de todas as cores . pássaros a cantarem com o sol , a relva a dançar devagarinho com a brisa . não , não ia morrer agora, por ti . não , não , não . não quando era tudo tão perfeito , aliciante. espectacular . não agora que a minha vida estava a ganhar contornos em tons de verde . não .

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Julgava ser superior a tudo , até a terrivel saudade que sentia por ti , por nós . no inicio , eras só mais um . achava-te igual a todos os outros . nunca pensei que te tornasses no homem da minha vida . nunca julguei seres tão perfeito como te acho que agora , mesmo que não o saibas , nem que nunca o venhas a saber . meu amor , acho que nunca to disse , mas já não consigo viver sem ti . não consigo passar um dia sequer sem pensar em ti , sem pensar no que já fomos , sem pensar no que me prometeste , vezes e vezes sem conta . como fui tola , como , diz-me , como é que me deixei levar por ti ? como , se nunca me amaste de facto ? como , se tudo o que me disseste e juraste a pés juntos eram só mentiras , ou meras palavras ? como , se tudo o que disseste sentir , nunca foi de facto sentido , nem vivido , pelo menos por ti . quero que saibas , ou que não saibas , que isto que estou a escrever aqui é tudo o que nunca te disse , é o que sempre pensei , o que sempre temi , mas o que nunca tive coragem para te mostrar .

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008


Acho que não sei nada , ou practicamente nada . Sei que é o amor que nos faz viver, sobreviver. Que é a maior força que existe, a que segura o Mundo na sua órbitra. E isto que sei, quase de cor, foste tu que me ensinaste. Que me guiaste, que me fizeste ver tudo, a essência, o propósito de um mundo. Foste tu, só tu, que me segredaste mil vezes ao ouvido o que era amar, o que era querer, o que era desejar alguém acima da própria vida. Pois agora, é a minha vez de te dizer que foi contigo, só contigo, que percebi o quão valiosa e efémera era a vida, que me tornei gente. Por ti amei, neste lugar. E ninguém precisa de saber como mergulhei neste sonho, neste sítio onde as palavras de nada valem, onde ódio e a solidão não entram, onde só nós vivemos, só nós. Ninguém precisa de saber que te amo, tanto. E mesmo que grite ao mundo tudo o que sinto, só tu me vais ouvir, pois a minha voz é apenas uma ilusão, e o que sentimos é demasiado verdadeiro para tal, para serem só palavras, ou gestos superficiais. Porque sei, que tu estás tão em mim como o meu olhar, que o céu que nos sobrevoa é o mesmo e que o luar que nos aquece a alma está sempre connosco, sempre.

sábado, 9 de fevereiro de 2008


amor , meu amor , ajuda-me a sonhar. ajuda-me a encontrar-me . ajuda-me . ajuda-me a viver . ajuda-me a ter medo , medo de te perder , de te matar , de te ter . ajuda-me a descobrir as vicitudes da vida e a amargura da saudade . ajuda-me , a mim , que poucas forças me restam . dá-me a mão e ajuda-me , por favor.

vive , morre . sê gente, descobre . aprende a querer , aprende a gostar , aprende a ter e a não ter. constrói uma vida, a tua . sente , sente a minha mão , sente a chuva que cai do céu e as estrelas que te aclaram o olhar . ama . grita , chora , cai e levanta-te .
agora , depois de teres sonhado com isto tudo , vou acordar-te , vou matar-te . vou dizer-te que o mundo não passa de uma ilusão , de um sonho , de uma rasteira e tu vais vive-lo como nunca .

domingo, 3 de fevereiro de 2008


amor. amor é um barco que anda à deriva , sem rumo , sem fim . é a força que nos faz crescer , que nos faz sentir . que nos faz voar e tocar no céu , sem realmente tirarmos os pés da terra . é algo , que tem tanta força que só por existir , nos faz renascer . é o sol , é o mar , é a vida . é um sorriso , um abraço , um eterno obrigado . amor . amor é o que me faz olhar uma flor e dizer que é bonita . é o que me faz chorar por te ires embora . é o que comanda os meus sonhos . é o reflexo do meu coração , da minha alma . é a imutável melodia que encanta mil homens , que faz nações , que cria pessoas , que reinventa lágrimas e as transforma em sorrisos , em beijos , em gestos . é o mundo , o universo , o infito . o fim e o principio . o bom e mau . o dia e a noite . é o amor . que mais seria , afinal ?

a brisa que vem do mar sabe a sonho e a esperança . sabe aos homens que partiram e nunca voltaram . sabe aos barcos naufragados e aos que descobriram caminhos fabulosos e alcançaram feitos incriveis . sabe aos nossos avós , aos nossos pais , a nós . a brisa que vem do mar sabe a gaivota , sabe a peixe , sabe a vida . a brisa que vem do mar sabe à carta que te escrevi , que pus dentro de uma garrafa , que mandei ao mar . sabe a palavras de amor , sabe a saudade , sabe a mágoa , mágoa de te ter perdido . a brisa que vem do mar é uma mistura de alegria e de tristeza . dá para sentir , dá mesmo para sentir que já tem eternidades . é a brisa das ondas que vão e vêm , que dançam para trás , para a frente , para trás , para a frente . a brisa que vem do mar faz os meus cabelos esvoaçarem e a aquece ou arrefece a minha cara de levezinho . a brisa que vem do mar é azul como o oceano , é verde como os prados , é vermelha como o fogo , é da cor da pele de todos os homens , uma mistura de vários tons . é castanha como a terra , é cinzenta como o céu quando está triste . a brisa que vem do mar é uma brisa que refresca todo o homem que vive e sente , é uma brisa que alegra toda a criança que brinca e enbala devagarinho a sua inocência . a brisa que vem do mar é alguma coisa que já está de tal maneira entranhada na minha existência que mesmo que morresse agora todos iriam perceber a que sabia a brisa do mar . a minha querida brisa do mar .

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
























foi numa manhã fria , estava a chover . estava a chover como nunca chovera antes . o céu estava a escuro como o breu e ela , sem saber bem porquê começou a percorrer a escura floresta que havia perto de sua casa . começou a olhar cada árvore , a ouvir cada sussuro , a sentir o cheiro de cada flor . começou a desejar , mais que nunca , parar o tempo . deixar de viver e ficar ali mesmo , absorta a tudo o resto . inerte ao mundo , aos outros . imune ao pesado ritmo da vida . agora , que parara durante um bocadinho reparava como estava cansada de tudo . como estava farta da monotona vida que tinha . afinal , não era verdadeiramente feliz . passava os dias tão atarefada e preocupada com os pequenissimos problemas que lhe surgiam dia após dia que se esquecia de viver , de parar um bocadinho para pensar no que queria de facto , no que a fazia de facto feliz . afinal, é tudo tão éfemero , tão frágil . senão aproveitarmos a nossa vida para sermos felizes , quem o fará ?

domingo, 27 de janeiro de 2008


era tarde , demasiado tarde . a noite espreitava em cada esquina , em cada olhar. as sombras dançavam no chão do meu quarto , alegres por a luz ir embora . a minha querida cidade , que de dia era tão viva , tão cheia , estava agora morta e vazia . só os mendigos percorriam as ruas , escuras e tristes . era tarde , demasiado tarde e as pesadas nuvens no céu denunciavam tudo . a chuva molhara a vida , apagara até o nosso sentimento , as palavras de amor que me tinhas escrito na alma. até os olhares , os beijos , os gestos , tudo . estava tudo perdido . fora , sem mais nem menos ,varrido da nossa memória , do nosso coração , pela chuva .

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008


Palavras perdidas na sombra do teu pensamento, pedaços de tudo, de nada. A busca inevitável da verdade, da razão. Somos o que dizemos, o que sentimos, somos reais ou tudo isto não passa de um jogo, de um teatro de marionetas manipuladas por coisas palpáveis e meramente materias?