terça-feira, 30 de setembro de 2008


acabei de fechar os olhos . agora , vejo o mar . agora , oiço as ondas baterem cheias de raiva . agora , sinto a tua mão no meu cabelo , no meu corpo . agora , já não tenho medo , nem saudade . agora , a única coisa que tenho és tu , o nosso amor , a nossa complicidade , o nosso tempo . agora , já não quero chegar nem partir para sitio nenhum . agora , tudo o que quero está aqui , neste sitio que nem sequer existe sem ser dentro de nós , da nossa cabeça , do nosso mundo . agora , meu amor , já posso prometer tudo o que quiseres já te posso prometer nunca mais ir embora , nunca mais dizer adeus . já posso prometer que nunca mais hei-de chorar nem morrer por dentro . já te posso olhar nos olhos e dizer com toda a certeza que és só tu que amo , que és só tu que vive na minha cabeça , a toda a hora no entanto , isto que te vou prometer , como em tudo na vida , tem uma condição . tens que me prometer também que nunca me deixas ver-te partir desta praia de ilusões . deste mar de medos e frustrações . deste vento que sabe a sonho e a esperança . tens que encostar a tua boca ao meu ouvido e dizeres tudo o que sentes . tudo o que te assusta , que te prende . e depois , depois de me prometeres vida , tens que me beijar . tens que me beijar como nunca o fizeste . tens que me beijar , porque sem o teu beijo , morro. ou melhor , abro os olhos .

sexta-feira, 19 de setembro de 2008




estou sentada na minha secretária . quando olho para a esquerda , vejo um espelho . o meu espelho. sempre que o vejo , vejo-me também a mim . vejo a rita . A Rita . Mas quem é a Rita afinal ? Bem , é certo e sabido que Rita é um nome , o meu nome . Mas e , serei eu ? Ou eu não sou um nome ? Não percebo então . Se não sou um nome ( ou talvez o seja , nem sequer sei ) serei uma coisa ? ( ou nem isso sou ? ) E uma pessoa ? sou um homem ou uma mulher ? algo devo ser , não ? ou tudo isto não passa de uma ilusão ? de uma fantasia ? de uma anedota ? de um jogo manipulado por algo superior a todos nós e que nos usa e abusa como se fossemos marionetas ? seremos afinal pequenas peças num tabuleiro composto por corpos , almas , sitios e sensações , completamente aleatórias e superficiais ? será tudo isto um sonho , ou sou de facto real e palpável ? nunca soube quem sou ou o que sou , e isso mata-me . mata-me mais do que se soubesse que não era nada , ou melhor , que era nada . dessa forma , podia ao menos viver ( ou não viver ) sentido alguma coisa , nem que fosse dor , solidão , tristeza , por ser nada .

sempre gostei do pôr do sol . aliás , sempre admirei o pôr do sol . ainda hoje , me supreendo com a forma de como ele me consegue cativar . lembro-me tão bem de em miúda ficar a olha-lo como se não houvesse mais nada . passava imenso tempo , completamente absorta ao mundo , só a ouvir as ondes baterem , a sentir a brisa do mar e a ver o sol por-se . agora , que cresci , já não é bem assim . na verdade , tudo se tornou mais complicado com o tempo . acabei por descobrir que , afinal , o dito cujo não me levou só o sorriso que costumava ter na cara todos os dias , mas também toda a minha inoncência . sei , tão bem como estar viva , que hoje sou incapaz de olhar o pôr do sol sem me virem logo à milhares de pensamentos , de reflexões .de facto , a vida é a melhor escola de todas . ensina-nos , melhor que nada nem ninguém , a pensar por nós próprios . a sentirmos-nos a nós e aos outros . a ouvirmos o mundo , e tudo o que ele embarca . é a única escola que nos obriga a repensar tudo o que fazemos e a refaze-lo , se necessário. no entanto ,é a que deixa mais mazelas também . é incrivel como em criança era facilimo olhar o sol sem pensar em mais nada sem ser nele , sem ser em como o que estava em frente dos meus olhos era lindissimo . parecia mesmo simples . mas , agora , assemalha-se dificilissimo , impossivel até , direi . agora , quando olho o pôr do sol , quando oiço as ondas baterem ou quando sinto a brisa do mar , vêm-me logo à cabeça inúmeras outras imagens , que vos garanto nada terem haver com o mar , ou com o sol , mas sim com a estrada mais esburacada que já encontrei , a minha vida .
nunca conheci ninguém como tu , juro que não . às vezes , fico olhar para ti a pensar como seria tudo isto se nunca te tivesse conhecido . se tivesses ido para outra turma , se eu tivesse entrado com seis anos para escola , se sei lá , nunca sequer tivesses nascido . mas depois , dou comigo a convencer-me a mim mesma que isso era impossivel . que isto tudo deve ter algum sentido , e o nosso destino , provavelmente é sermos melhores amigas . é sermos confidentes , irmãs , alicerces uma da outra . a nossa sina deve ser esta mesmo . aprendermos uma com a outra a viver , a sentir , a crescer . e sabes , melhor amiga , se perguntassem com quem é eu me imagino para o resto da minha , eu respondia que era contigo e com mais ninguém . para sempre . ou para nunca , não é ,s ?