no sitio onde eu vivo existem três ruas, um largo com um cafézinho e meia dúzia de casas. no sitio onde eu vivo as pessoas contam-se pelos dedos. no sitio onde eu vivo consegue-se ouvir o vento passar por nós e o silêncio chega a ensurdecedor. no sitio onde eu vivo todos são primos, avós e tios uns dos outros. no sitio onde eu vivo todos sabem que sou a rita. todos sabem quem é o meu pai, a minha mãe, o amor da minha vida. no sitio onde eu vivo não há pressa, não há tempo, não há saudade.
e depois, há mundo. e depois, há o resto. e depois, há o o lugar em que eu e mais 6,6 mil milhões de pessoas vivem. o lugar com meia dúzia de casas e mais algumas. o lugar onde ninguém me ouve, ninguém me vê, ninguém me conhece. o lugar onde a minha voz é muda e o meu corpo é invisivel. o planeta terra, com os seus cinco continentes, com os seus 149.597.870,691 km, com os seus imensos mares e oceanos, com as infinitas história que tem para contar.
mas e se de repente esse lugar se tornasse tão pequeno como o sitio onde eu vivo? e se um dia eu acordasse, e todo o mundo soubesse quem eu era. e se um dia eu falasse e as 6,6 mil milhões de pessoas me conseguissem ouvir? o mais provável é que a corbadia e a imensa falta de fé que tenho em mim mesma me impedissem de falar, me enrolassem as palavras no novelo tão espesso que por mais que eu quisesse, se prendia na minha garganta e não deixava dizer o que sinto, o que penso, o que vivo e acredito.
Mas enfim, esta folha em que escrevo não é o mundo e estas linhas que já preenchi não Homens, são só linhas. portanto aqui fica o que nunca vou ter coragem de partilhar com mais ninguém, aqui fica o se pudesse e conseguisse, gritava ao mundo, aos outros.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
sábado, 4 de abril de 2009

Consigo vê-la daqui . Consigo sentir a sua força , por mais longe que esteja . Consigo percebe-la , perceber a história daqueles que nela deixaram de ser Homens. E é talvez por conseguir perceber e sentir tudo isso que tenho medo. Medo de saber que estou morta. Medo de não poder viver nem mais um segundo, de não poder abraçar alguém, nem dançar com a noite ou dizer olá à lua . Medo de não conseguir ouvir-te rir ou dar-te a mão. Medo de me tornar menos que nada , medo de deixar de existir, medo de deixar uma vida que ainda não foi preenchida o suficiente. Medo de me sentar na cadeira da morte em vez de na da vida .
No entanto, sei que, inevitavelmente, me vou ter que sentar nela. Que vou ter que enfrentar o que todos teremos que enfrentar um dia, a morte.
foto tirada pelo pedro , na aula de teatro de hoje .
Subscrever:
Mensagens (Atom)
